O meu Voo

20/04/16

Da Estupidez Humana


Quarta Lei Fundamental da Estupidez Humana segundo Carlo Cipolla:



31/12/15

Bom Ano para todos!


Venha 2016. Venha de fralda, de mala, descalço, parido com dores, sem cores...
Cá estaremos para o colorir com as nossas melhores tintas nos pincéis, assim nos sobrem os dedos ainda que idos os anéis.

Bom Ano para todos!

19/02/14

Para além da curva da estrada


"Para além da curva da estrada
 Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
 E talvez apenas a continuação da estrada.
 Não sei nem pergunto.
 Enquanto vou na estrada antes da curva
 Só olho para a estrada antes da curva,
 Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
 De nada me serviria estar olhando para outro lado
 E para aquilo que não vejo.
 Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
 Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
 Se há alguém para além da curva da estrada,
 Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
 Essa é que é a estrada para eles.
 Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos. 
Por ora só sabemos que lá não estamos.
 Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
 Há a estrada sem curva nenhuma."

 Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

02/03/12

Um poema em formato de crónica

E se, de repente, alguém me oferece... uma publicação importante.... isso É...

... um sopro de ar puro e fresco, que me eleva pelos ares e me faz voar como uma pequena pluma caída de umas frágeis asas.


Um poema é essa recensão que ele escreveu em formato de crónica, roubando-me as palavras todas e deixando-me sem elas para lhe agradecer como deveria.

É muito gratificante ficar a saber que sentem prazer ao ler o que escrevemos e, ainda mais, ao escreverem sobre isso. 

Roubo-lhe agora eu as próprias palavras, que um dia ousou dizer: "Quem me lê, alimenta-me." Bem-hajas, António!

21/10/11

Outono Queimado


Outono queimado
em fogueiras de pranto
fumos espalhados
rios calados
(m)águas esvaídas
penas estendidas
em chão desolado

06/08/11

Caminho de Jornada

De versos se faz a vida
uns dias tão magoada
tão sofrida
outros pela estrada
repetida
de sol
de chuva
de mar
em sal
ou colorida
tantas vezes mal-amada
incompreendida
mas caminho de jornada
e sempre querida

03/02/11

O texto que eu gostaria de ter escrito

"Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida.

Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.

Um dia sentam-se perto de ti no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que tu sentes que não podes mais trocar as fraldas daquela criatura. Por onde é que andou a crescer aquela danadinha que tu não percebeste? Onde está a pá de brincar na areia, as festas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme da Creche?
A criança está a crescer num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. 
E tu estás agora ali, na porta da discoteca, à espera que ela não apenas cresça, mas apareça! 
Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos. Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão os nossos filhos com o uniforme da sua geração: incómodas mochilas da moda nos ombros. Ali estamos, com os cabelos esbranquiçados. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas. 
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com os nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam.

Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos. Não mais os vamos buscar às portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judo.
Saíram do banco de trás e passaram para o volante das suas próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir a sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores. Não os levamos suficientemente aos Playcenter's, ao Shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os gelados e roupas que gostaríamos de ter comprado. Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afecto.

No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos.

Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.

Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes".
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e orando muito (nessa hora, se tínhamos desaprendido, reaprendemos a orar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível.

O jeito é esperar: qualquer hora podem dar-nos netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer connosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afecto. Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.

Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós..."


Autor: Affonso Romano de Sant'Anna

24/05/10

Voa sempre mais alto!

Crescem. E voam.
Deixam o ninho e juntam palhinhas para o seu próprio ninho.
E não são mais nossos.
E há certas alturas em que a saudade cala mais alto e acende rastilhos que inflamam convulsões no peito e fazem jorrar cascatas dos olhos.
E a vida se revê para trás, do princípio, quando as flores mais belas se desenharam e trouxeram a vida ao ninho que aos poucos se foi vestindo de penugens frescas...

Eu sei, as avezinhas tinham de crescer. E é muito bom quando as suas asas ganham penas fortes que lhes garantem o voo.
Eu sei como a felicidade do seu voo é a nossa alegria.
Mas não posso evitar, hoje, um pouco de nostalgia.

Parabéns, meu amor!

24/04/10

Ao Teu colo

É muito bom, Senhor, o teu colo.
É indiscritível a sensação de saber
Que me tomas nos braços
E que me proteges
E afagas
E mimas.
Quisera eu merecer
E saber agradecer
O colo que me dás.
Mas só sei dizer:
Obrigada!

21/03/10

Quanto me pesa a alma

"Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
(Clarice Lispector)


[No Dia Mundial da Poesia]

04/02/10

Como sois grande!




Quando contemplo o mar
A imensidão de oceano
Que o céu vem beijar
Tudo obra admirável das Vossas mãos
Não posso deixar de exclamar:
“Como sois grande em toda a terra,
Senhor nosso Deus!”

04/08/09

Obrigada

Obrigada
Obrigada, Senhor
Pelo toque do teu amor

Pelas mãos que me acariciam o corpo
E me pegam o seu calor

Pela paz que sobrevém
No doce agasalho dos braços
Que me serenam a dor

01/01/09

O caminho é este: fazer a paz

Senhor,
Fazei-me instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver duvida, que leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

(Oração de S. Francisco)

27/09/08

"outros valores mais altos se alevantam"

18/08/08

Saber esperar

Era uma menina, igualzinha às outras meninas da sua idade. Com uma diferença: era uma papoila rubra, que se transformara numa linda princesa cheia de sonhos.

A menina todos os dias colocava a sua coroa de princesinha e sentava-se, durante algum tempo, num canto do seu quarto, alimentando o espírito de devaneios, ao mesmo tempo que esperava pacientemente pela materialização de uma quimera. Por debaixo daquela coroa pequenina, brilhava uma farta cabeleira negra, sob a qual habitava um cérebro idealista e rebelde. No castiçal tremeluziam as suas estrelinhas do êxito, emanando aromas enviados pelas ninfas do lago azul.

E sentia-se muito bem assim, respirando aquela paz que lhe vinha engrinaldar as aspirações. Tinha desejos e projectos ambiciosos. E esperava. Esperava com a certeza de os ter já alcançado. Esperava-os com o direito de quem trabalha para a sua concretização.

Entre os seus anseios contava-se o de que um príncipe viesse complementar a sua ventura. Um príncipe, nem que fosse encantado. E esperava. Esperava apesar de, até agora, apenas lhe terem surgido sapos. A sua rebeldia não via neles encantamento algum. Via apenas sapos. Sapos daqueles que ela muito bem sabia que nadavam com as rãs na poçada do canavial. Bem os ouvia lá coaxar todos à noite.

No entanto nada lhe fazia perder a esperança de alcançar todos os seus objectivos. Trabalhava para isso. E esperava. Esperava pacientemente. Ela tinha a certeza de que a paciência é a sabedoria do saber esperar.

Esta é a história que escrevi para responder ao desafio da Cátia, sobre a pintura do post anterior.

Ler histórias AQUI

E mais ainda Aqui também

Adenda em 20.10.2009:
E Ainda mais uma aqui

29/07/08

Partilha de uma muito querida (4)



(Acrílico sobre tela)

A Cátia lembrou-se de colocar um desafio aos seus visitantes sobre este lindíssimo quadro da minha muito querida.

Os meus visitantes estão também convidados a participar.
Para isso visitem o blog da Cátia e... atrevam-se!

12/07/08

Se eu acreditar...


(Picasso - Le Visage de la Paix VI)

Se eu acreditar...
Talvez que as minhas asas
de papel
Que alguém um dia
não teve pejo de cortar
Possam ainda
ser coladas
e voar
Se eu acreditar...

27/06/08

Partilha de uma muito querida (3)



18/06/08

Sem fato de banho

Aviso:
Este texto é uma brincadeira e vem na sequência de Isotta Barbarino, do António.

O senhor Barbarino sempre fora um homem muito senhor de si. Aliás, essa fora a característica que despertara o interesse a Isotta e que a levara a conquistá-lo. Mas, o que é certo, é que sempre se sentira inibida junto dele.
Passados quase trinta anos de casamento, e a inibição, em vez de diminuir, parecia aumentar. Tanto que, durante toda essa longa vida em comum, nunca as suas nudezas foram devassadas um pelo outro, nem sequer, nunca nenhum dos dois se atrevera a acender a luz durante os melhores momentos de intimidade conjugal, apesar de, em tudo o resto nada se ocultarem.
Ora, ao perder o fato de banho no imenso oceano, Isotta encontrara o momento oportuno de lhe fazer perder a pose. Se nunca antes, nem na penumbra, fora capaz de estar nua frente a frente com ele, achava agora até uma certa graça de o ter de fazer, à luz do dia, com outras pessoas por perto.
Mas ele mostrou-se impávido e sereno, e ela resignou-se à sua sorte, deixando transformar o seu mais belo sorriso num riso amarelo.

Só que o senhor Barbarino não tinha ficado assim tão indiferente e estudava uma maneira de a fazer pagar por aquele acto tresloucado.
O facto de a sua amantíssima esposa se apresentar sem pudor diante de toda uma plateia de desconhecidos, nunca o tendo ousado só para ele, fez com que até ao pegar no jornal o fizesse com este de pernas para o ar, tal era o estado em que ficara a sua cabeça!
– Veste-te… que vamos para casa! – Acabou por lhe dizer, não conseguindo esconder algum nervosismo. “Em casa vais pagá-las todas”, pensou.
E se bem o pensou, melhor o fez. Chegados a casa, foi a vez dele deixar cair a pose, a compostura... a roupa, e se lhe mostrar em toda a sua nudez, sem lhe dar, a ela, tempo de se prevenir.
Aí, ela não aguentou… e desmaiou horrorizada… era mulher!