Se tens o coração
de ti tão encharcado
retendo dentro repetidamente o olhar,
sem te dares oportunidade
a que outras belezas
se ensejem a manifestar,
qualquer dia negarás
que possam existir
peixinhos dourados
e crianças a sorrir.
Então o teu mundo
será apenas tu,
o teu coração
e um pretenso culto
que não podia florir.
31/07/2025
30/07/2025
Tal e qual eu
«Sim, eu isolo-me. Não porque não goste de pessoas, mas porque o mundo, com o seu ritmo frenético, esgota-me: o barulho incessante, as multidões apressadas, as conversas que, muitas vezes, não passam da superfície.
Isolo-me porque prefiro estar só do que rodeado de pessoas com quem não partilho a mesma vibração, o mesmo compasso da alma. Não é que os outros sejam menos interessantes ou dignos, nada disso. Somos apenas diferentes. As nossas sensibilidades movem-se em tempos distintos, e está tudo bem assim.
Com o passar dos anos, tornei-me mais consciente de quem sou, do meu caminho e do que não estou disposto[a] a carregar. Compreendi que a solidão, para mim, não é um vazio, mas uma presença — um encontro íntimo comigo mesmo, onde o silêncio é reconfortante como um abraço.
O mundo tem muito para oferecer, sim, mas também traz consigo ruídos que podem afastar-nos da nossa essência. A inveja, a competição desenfreada, as distrações constantes... É fácil perder o rumo. Por isso, escolho a minha bolha de paz, seja em casa, num canto tranquilo, ou no meio da natureza. É nesses espaços que reencontro a minha serenidade, onde o melhor de mim floresce no silêncio que escolho.
Não sou anti-social. Sou alguém que aprendeu a respeitar a sua sensibilidade e a necessidade de equilíbrio. Ouço, acolho, ajudo sempre que posso e com profundidade. Mas, depois, preciso de regressar ao meu refúgio interno, ao lugar onde me restauro.
E, se dedico o meu tempo a alguém, saiba que não é por solidão ou por necessidade de preencher vazios. É porque escolhi, de forma consciente e verdadeira, estar ali.»
(Éden Cara)
25/10/2023
dos espinhos nas veredas
«minha vontade sempre foi
subir ao topo da tua permanência
e, ali, habitar-te.
Mas minhas impetuosidades
foram expostas em direção a outros receios.
O teu templo exige vigilância, clausura
e eu sou transitória.
Mas há muito estirei minha alma
sem arremedo
a teus pés.
(...)
abasteci-me de palavras
fiéis, doces, consumadas
juntei as mansas raízes
um tino das sombras
dos espinhos nas veredas
tanto fiz pra te fazer um poema
que te doesse dentro
que te esmagasse o estômago
mas tu não entendes de sacrário
nem de desbastes.
por descuido passei
a escrever na penumbra
primeiro usei o lápis
e o papel em branco
mas tu não leste.
Apontei o carvão
e escrevi na parede
enquanto dormias.
Tu não leste.
Então desenhei em baixo relevo
na porta do quarto
no chão da sala
no umbral da porta
quando viste,
eu já tinha (l)ido.»
Excerto de Jeanne Araújo, Sangria

17/08/2023
Declamando
No Lançamento do livro "O sol disse-me que amanhã acorda cedo", de Clara Maria Barata
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Novembro de 2012 |
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16/06/2023
Um Certo Olhar
Encosto os olhos e absorvo
O odor da maré
Como quem recebe
No peito um abraço
E se encolhe nesse aperto
Acordo o olhar
E avisto ao longe o azul
Brilhando por entre as brumas
Confundindo-se com outro azul
Que sobe às alturas
[Excerto adaptado do meu poema Naufrágio, publicado originalmente a 17/05/2010 no meu blogue Nuvens de Orvalho (apagado)]
05/06/2022
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Agradeço a compreensão.
30/09/2021
No horizonte se desprendem os reflexos...
Eu sei, eu sei que esta sequência de fotos é um lugar-comum...
mas encontrei-a nos meus arquivos fotográficos e não quis que ficasse lá fechada.
“Fica junto a nós, em breve desce o sol,
Fica junto a nós que o dia findará"
"Fica junto a nós que o sol se esconderá,
Se estás entre nós, a noite a noite não virá!”
"As sombras se desvanecem e a noite cai"...
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