O meu Voo

sexta-feira

Partilha de uma muito querida (3)



quarta-feira

Sem fato de banho

Aviso:
Este texto é uma brincadeira e vem na sequência de Isotta Barbarino, do António.

O senhor Barbarino sempre fora um homem muito senhor de si. Aliás, essa fora a característica que despertara o interesse a Isotta e que a levara a conquistá-lo. Mas, o que é certo, é que sempre se sentira inibida junto dele.
Passados quase trinta anos de casamento, e a inibição, em vez de diminuir, parecia aumentar. Tanto que, durante toda essa longa vida em comum, nunca as suas nudezas foram devassadas um pelo outro, nem sequer, nunca nenhum dos dois se atrevera a acender a luz durante os melhores momentos de intimidade conjugal, apesar de, em tudo o resto nada se ocultarem.
Ora, ao perder o fato de banho no imenso oceano, Isotta encontrara o momento oportuno de lhe fazer perder a pose. Se nunca antes, nem na penumbra, fora capaz de estar nua frente a frente com ele, achava agora até uma certa graça de o ter de fazer, à luz do dia, com outras pessoas por perto.
Mas ele mostrou-se impávido e sereno, e ela resignou-se à sua sorte, deixando transformar o seu mais belo sorriso num riso amarelo.

Só que o senhor Barbarino não tinha ficado assim tão indiferente e estudava uma maneira de a fazer pagar por aquele acto tresloucado.
O facto de a sua amantíssima esposa se apresentar sem pudor diante de toda uma plateia de desconhecidos, nunca o tendo ousado só para ele, fez com que até ao pegar no jornal o fizesse com este de pernas para o ar, tal era o estado em que ficara a sua cabeça!
– Veste-te… que vamos para casa! – Acabou por lhe dizer, não conseguindo esconder algum nervosismo. “Em casa vais pagá-las todas”, pensou.
E se bem o pensou, melhor o fez. Chegados a casa, foi a vez dele deixar cair a pose, a compostura... a roupa, e se lhe mostrar em toda a sua nudez, sem lhe dar, a ela, tempo de se prevenir.
Aí, ela não aguentou… e desmaiou horrorizada… era mulher!